Um relatório divulgado pela Nielsen em 14 de outubro mostra que o futebol vive um momento de expansão sem precedentes no mercado americano. Segundo o levantamento, o número de fãs do esporte nos Estados Unidos deve chegar a 75,2 milhões até julho de 2026, um salto de 8,4 milhões de pessoas em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço é atribuído diretamente ao efeito da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México.
Crescimento acelerado em apenas um ano
Os dados do sistema Fan Insights, ferramenta de pesquisa da Nielsen, indicam que o número de americanos que se declaram fãs de futebol passou de 66,8 milhões em julho de 2025 para os projetados 75,2 milhões em julho de 2026 - um aumento de quase 13% em doze meses. Olhando para um intervalo mais amplo, entre 2022 e 2026, a base de torcedores deve crescer 27%, o equivalente a cerca de 16 milhões de novos fãs. O número reforça que o futebol segue ganhando espaço em um mercado esportivo historicamente dominado pelo futebol americano, o basquete e o beisebol.
Segundo a Nielsen, o impacto do Mundial não se limitará à fase de disputa do torneio. A expectativa é que o interesse despertado pela competição continue se refletindo na audiência de ligas de clubes depois da final. Na MLS, o público masculino de 18 a 34 anos que acompanhou jogos da temporada regular na FOX e na FS1 após a Copa cresceu 55% em comparação ao período pré-torneio; considerando toda a faixa de 18 a 34 anos, o aumento foi de 29%, com base em dez partidas transmitidas pelas duas emissoras, sem contar a audiência da Apple TV.
Ligas europeias também sentem o efeito
O fenômeno não ficou restrito ao futebol norte-americano. De acordo com a Nielsen, o público de 18 a 34 anos que assistiu à Premier League pela NBC e pelo USA Network, incluindo transmissões em espanhol, cresceu 30%. O campeonato espanhol teve desempenho ainda mais expressivo: a audiência subiu 42% nas plataformas ESPN, ESPN2, ABC e ESPN Deportes em comparação ao ano anterior, com um salto de 60% entre espectadores de 18 a 34 anos.
Para Seth Ladetsky, chefe global de esportes da Nielsen, a Copa do Mundo "se tornou um poderoso catalisador para o crescimento explosivo do futebol na América do Norte". Segundo ele, os números mostram uma comunidade de fãs que não apenas bateu recorde, como também se diversifica rapidamente entre públicos mais jovens, sustentando a audiência de torneios nacionais e internacionais.
Reflexos na MLS, nos clubes e nas transmissões
O crescimento também aparece fora das telas. Entre 2022 e 2026, a MLS projeta um aumento de 28% no número de torcedores, cerca de 11,7 milhões de pessoas a mais. Segundo a Front Office Sports, a Copa do Mundo de 2026 já estabeleceu novos recordes de audiência: a FOX registrou média de 7,74 milhões de espectadores por partida, alta de 116% frente a 2022, enquanto a Telemundo, em transmissões em espanhol, teve média de 6,3 milhões, crescimento de 143%. A final entre Espanha e Argentina, disputada em 19 de julho, reuniu média de 66,4 milhões de telespectadores nos EUA, tornando-se a partida de futebol mais assistida da história da televisão americana.
O impacto também apareceu na bilheteria. Segundo a Front Office Sports, o Philadelphia Union teve alta de 218% nas vendas de ingressos desde o início do torneio, enquanto o Nashville SC registrou crescimento de 161% nas vendas online no mesmo período. Diante desse cenário, a MLS lançou uma campanha de mídia voltada a manter o engajamento dos novos torcedores após o Mundial, buscando transformar espectadores ocasionais da seleção em público fiel de estádio e de liga.
Desafio agora é sustentar o crescimento
Em participação na conferência Tuned In, promovida pela Front Office Sports, o comissário da MLS, Don Garber, afirmou que a expansão do futebol nos Estados Unidos é um processo que começou anos atrás, intensificado desde a escolha da América do Norte como sede do Mundial. Segundo ele, a meta de longo prazo da liga é seguir desenvolvendo o mercado, elevando a qualidade do produto em campo e consolidando vínculos duradouros com os torcedores locais.
Os números da Nielsen confirmam que a Copa do Mundo gerou um impulso real para o futebol nos Estados Unidos. O desafio agora passa a ser outro: manter esse público engajado nas temporadas seguintes dependerá da qualidade competitiva das ligas, da atratividade dos jogos e da capacidade de transformar entusiasmo passageiro em paixão duradoura - justamente o objetivo que MLS e emissoras parceiras já começam a perseguir.