Egos de Vinicius e Mbappé expõem fragilidade tática do Real Madrid

Egos de Vinicius e Mbappé expõem fragilidade tática do Real Madrid

O Real Madrid encerrou a última temporada sem títulos relevantes e, segundo relatos de ex-membros da comissão técnica do clube ouvidos pelo The Athletic, parte significativa do problema tem nome e sobrenome: Vinícius Júnior e Kylian Mbappé. As fontes, não identificadas, defendem que o desempenho irregular da equipe nas grandes competições está diretamente ligado à forma como os dois astros se posicionam em campo - e fora dele.

Um time que defende com oito jogadores

De acordo com os relatos, tanto Vinicius quanto Mbappé participam pouco da marcação, preferindo se posicionar para contra-ataques rápidos. Na prática, isso significa que o Real costuma defender em inferioridade numérica, um problema que já custou caro nas quartas de final da Liga dos Campeões da temporada passada, na eliminação diante do Bayern de Munique. "É impossível ter sucesso a longo prazo quando se defende com apenas oito jogadores", resumiu um dos ex-funcionários ao veículo britânico, acrescentando que a sobreposição de espaços entre os dois atacantes também dificulta a organização ofensiva.

Apesar da tensão tática, as mesmas fontes sugerem que a relação pessoal entre os dois jogadores seria menos hostil do que outras reportagens indicaram. "Eles se dão bem, mas não se entendem em campo", disse uma fonte próxima ao clube, descrevendo uma rivalidade movida por comparação constante de desempenho - e não por antipatia mútua.

Uma temporada marcada por crises internas

O ambiente turbulento não é novidade em Valdebebas. Xabi Alonso, então treinador, enfrentou atritos públicos com Vinicius, incluindo uma substituição polêmica em um Clássico no qual o brasileiro insinuou publicamente que poderia deixar o clube. O vestiário, segundo relatos da época, ficou dividido entre apoiadores e críticos do técnico espanhol, que deixou o cargo meses depois.

A troca para Álvaro Arbeloa não trouxe estabilidade. Próximo do fim da temporada, uma briga entre Fede Valverde e Aurélien Tchouaméni ganhou repercussão, com o uruguaio precisando ser hospitalizado após sofrer um traumatismo craniano durante a confusão. O Real terminou o ano sem taças e respondeu com o retorno de José Mourinho ao comando técnico, numa tentativa de reimpor disciplina e hierarquia dentro do grupo.

Mbappé e a bicicleta que incomodou Mourinho

Mesmo sob o novo comandante português, os episódios de atrito continuam. O jornal L'Equipe revelou que o comportamento de Mbappé desde a lesão sofrida na Liga das Nações tem causado desconforto interno, com a impressão, entre funcionários do clube, de que o francês prioriza objetivos pessoais - como a conquista da Bola de Ouro - acima dos interesses coletivos. "Depois de mais de dois anos, a impressão é que ele ainda não entendeu como o Real funciona", disse uma fonte anônima ao jornal francês.

Mourinho chegou a proibir publicamente que jogadores lesionados andassem de bicicleta, alertando sobre o risco de quedas e novas lesões. Mbappé, ainda em recuperação de uma distensão na cápsula posterior do joelho esquerdo, publicou dias depois uma foto nas redes sociais pedalando na Suíça.

Expulsão de Vinicius tira o atacante do Clássico

O brasileiro também protagonizou sua própria polêmica no fim de semana. Contra o Villarreal, teve um gol anulado corretamente e, na sequência, recebeu cartão vermelho direto após o VAR identificar que puxou o cabelo do adversário Nathan Saliba. Vinicius reagiu com indignação, confrontou verbalmente o árbitro e, segundo relatos, chegou a empurrar um funcionário de La Liga a caminho do vestiário - conduta que deve resultar em suspensão de pelo menos duas partidas, tirando-o do Clássico marcado para 25 de outubro.

Mourinho optou por não comparecer à entrevista coletiva após a partida, numa tentativa deliberada de evitar qualquer declaração que pudesse render-lhe suspensão. Segundo o Mundo Deportivo, o técnico fez questão de garantir que estará presente nos banços contra Sevilla e Barcelona - justamente os compromissos em que terá de administrar o vestiário sem poder contar com Vinicius em campo.