Uma chuva forte que caiu sobre o grid momentos antes do início do GP do Bahrein, disputado em Sepang, na Malásia, provocou uma sequência de contratempos que deixou a Fórmula 1 exposta a duras críticas de seus próprios pilotos. O atraso inicial de 40 minutos para a largada foi só o começo de um domingo marcado por confusão técnica, com um problema de software fornecido pela FIA a todas as equipes causando perda de potência em diversos carros antes mesmo de completarem a primeira volta atrás do safety car.
O episódio começou com Max Verstappen, que largaria da pole position, perdendo potência repentinamente. Logo em seguida, Lewis Hamilton, ao lado dele na primeira fila, parou por completo e precisou reiniciar a unidade de potência de sua Ferrari ainda na reta dos boxes, diante do olhar perplexo de milhões de espectadores - uma cena tão inesperada quanto giros aleatórios em uma burning hot slot, onde o resultado pode surpreender a qualquer momento. A FIA explicou posteriormente que "uma combinação sem precedentes de baixa rotação do motor, pouca aderência, configurações de gerenciamento de energia para chuva e o traçado de setores de Sepang levou a uma perda não intencional de potência em vários carros".
Reação dura dos pilotos
Para muitos competidores, porém, a explicação técnica não amenizou a frustração. "Foi horrível", disse o atual campeão Lando Norris. "Isso prova que não deveríamos ter nada desse tipo no lado eletrônico." Lance Stroll, da Aston Martin, lamentou a oportunidade perdida de pista molhada logo no início: "Perdemos uma boa corrida, pneus de chuva no começo, deveríamos estar lá fora correndo. Em vez disso, os carros estavam corrigindo problemas de software. É meio triste de ver." Já Sergio Pérez, da Cadillac, foi direto: "Obviamente não foi algo bom o que aconteceu hoje. Tenho certeza de que aprenderemos como esporte, mas o que aconteceu hoje é totalmente inaceitável para a modalidade."
Regulamento de motores sob fogo cerrado
O incidente reacendeu o debate sobre a complexidade do atual regulamento de unidades de potência, que prevê que quase metade da energia do carro venha da bateria. Verstappen, que venceu a corrida, resumiu o incômodo geral: "Esse é o problema que temos, esses motores são tão complicados e muito software é implementado. Quando há algum tipo de erro ou falha, seja lá como você queira chamar, esse é o problema." Carlos Sainz, da Williams, foi ainda mais incisivo, cobrando uma reflexão profunda da categoria: "É claro que o regulamento é extremamente complicado para os pilotos, para as equipes, para as unidades de potência, para os fabricantes. É complicado demais. Minha única dúvida é quem, há cinco anos, decidiu que essa era a direção a seguir."
Corrida marcada por paralisações e frustração dos fãs
Depois do reinício, com a pista já seca, o GP ainda teve mais dois períodos de safety car para a retirada de carros abandonados em pontos perigosos da pista. George Russell, que se envolveu em uma dessas situações, criticou o espetáculo entregue ao público que acompanhava o retorno da Malásia ao calendário desde 2017: "O dia inteiro pareceu uma bagunça, com o atraso, depois a bandeira vermelha e voltas intermináveis atrás do safety car. Não pareceu muito F1 hoje. Eu ficaria decepcionado se estivesse nas arquibancadas vendo aquilo se desenrolar." As declarações reforçam a pressão sobre FIA e Fórmula 1 para revisar tanto os protocolos técnicos quanto o próprio desenho regulatório das unidades de potência antes da próxima temporada.