Sete ex-jogadores do Palmeiras e seus caminhos longe dos holofotes

Sete ex-jogadores do Palmeiras e seus caminhos longe dos holofotes

Tem sempre aquele jogador que vestiu a camisa do clube do coração, ergueu taça e, de repente, some do radar da imprensa brasileira depois de assinar contrato no exterior. A explicação costuma ser simples: ele está atuando longe dos cinco grandes campeonatos europeus e fora da Liga dos Campeões, território que raramente rende manchete por aqui. Para resgatar esses nomes, o Blog do Rafael Reis inicia hoje uma série semanal de reportagens em busca desses atletas "perdidos no mundo". Na estreia, sete ex-palmeirenses recentes.

Da Europa periférica ao Golfo: os que trocaram de continente

Zé Rafael, 33 anos, ícone dos primeiros títulos da era Abel Ferreira, encerrou passagem pelo Santos e desembarcou em Portugal no fim de agosto para defender o Alverca, clube ligado a um grupo de investidores próximo a Vinícius Jr. A adaptação tem sido lenta: depois de ficar de fora das primeiras rodadas, ele só entrou em campo nos minutos finais da vitória sobre o Rio Ave, antes da pausa para a Data Fifa.

Também em Portugal, Garcia simboliza o drama de muitos jovens formados na base. Peça-chave da geração que deu ao Palmeiras seu primeiro título de Copa São Paulo, em 2022, nunca encontrou brecha diante de Marcos Rocha e Mayke. Foi emprestado ao Nacional da Ilha da Madeira, onde se destacou, e chegou a ser especulado em clubes grandes do país. Acabou no Famalicão, mas o encanto não resistiu: só sete minutos disputados nesta temporada.

Já no Catar, Giovani segue tentando justificar o rótulo de "futuro boleiro" que carregava antes de Endrick e Estêvão surgirem nas categorias de base. No Al-Sadd, uma grave lesão no joelho o tirou dos gramados por quase um ano. Titular na maior parte da última temporada, perdeu espaço justamente na reta decisiva da Champions League asiática e ainda busca o primeiro gol na atual campanha.

Reencontro com ex-companheiros nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, Micael virou peça relevante no Inter Miami, onde reencontrou nomes como Lionel Messi, Luis Suárez e Casemiro. Emprestado pelo Palmeiras até dezembro, o zagueiro tem contrato que prevê opção de compra pelos norte-americanos - um desfecho que parece cada vez mais provável diante da sequência como titular, inclusive depois de superar uma entorse de tornozelo que o afastou por um mês.

Rafael Navarro, por sua vez, encontrou na MLS o que não conseguiu no Brasil: ser sinônimo de gol. Recuado para armar jogadas na época em que defendia o Palmeiras, o atacante deslanchou após a mudança para os Estados Unidos em 2023 e mantém médias de dois dígitos de gols por temporada. Na passagem mais recente, do Colorado Rapids para o St. Louis City, começou com números ainda mais expressivos: cinco gols em cinco jogos.

México e Rússia completam o mapa da diáspora palmeirense

No Toluca, Luan tenta recuperar o protagonismo que teve durante sete temporadas no Palmeiras, período em que foi peça quase indispensável do elenco de Abel Ferreira e acumulou títulos como Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil, Paulista, Recopa Sul-Americana e Supercopa. A primeira experiência no futebol estrangeiro, iniciada em 2024, esbarrou em uma cirurgia no tendão adutor que o afastou por boa parte do ano passado. Fisicamente recuperado, o zagueiro ainda alterna entre titularidade e banco de reservas no time mexicano, onde reencontrou o ex-companheiro Raphael Veiga, hoje no América-MEX.

Mais distante geograficamente, Jhon Jhon representa a aposta russa dessa leva de ex-palmeirenses. Outro remanescente do time campeão da Copa São Paulo de 2022, ele chegou ao profissional em 2023, disputou quase 50 partidas e foi negociado com o Bragantino antes de assinar com o Zenit, no início de 2026. No clube russo, já conquistou um título nacional e atua principalmente como ponta esquerda, função que divide com características de armador. Na atual temporada, marcou um gol, em julho, diante do Akron Togliatti.

Um mapa que mostra a nova geografia do mercado brasileiro

Juntos, os sete casos ilustram um movimento cada vez mais comum no futebol brasileiro: destinos alternativos aos cinco grandes campeonatos europeus, da MLS ao futebol do Golfo, passando pelo México, por Portugal e agora também pela Rússia. São rotas que raramente geram manchete em tempo real, mas que seguem moldando carreiras e, em alguns casos, mantendo vivas as chances de volta aos holofotes - seja num novo clube de prestígio, seja em uma eventual repescagem para a seleção brasileira.